Nossa História

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A Nicácio é a mais antiga funerária de Ribeirão Preto. Está em atividade desde 1918, quando foi fundada por Nicácio Gonçalves de Souza.

Nicácio o precursor das funerárias

O seu nome era Nicácio Gonçalves de Souza, tendo nascido na cidade de Rio Claro no estado do Rio de Janeiro em 1885, sendo seus pais o saudoso Olympio Gonçalves de Souza e dona Castorina Maria da Conceição.

Na referida cidade o Nicácio, oriundo de família modesta e paupérrima cursara apenas o ensino primário. Entretanto havia naquela pequena cidade, a família Portugal, cujos familiares adoravam profundamente o menino Nicácio, principalmente a dona Silvéria Pereira Portugal, que desejando mudar-se para Ribeirão Preto, obtivera dos genitores de Nicácio, a permissão de trazê-lo para o Estado de São Paulo e o seu destino era Ribeirão Preto, onde residiam muitos dos seus parentes e também em Sertãozinho, residiam membros da família Portugal.

Com o assentimento dos pais do menino, a dona Silvéria Pereira Portugal, de saudosa memória, veio para Ribeirão Preto onde chegara em determinado mês do ano de 1895, quando seu pupilo tinha apenas 10 anos de idade. A bondosa dona Silvéria o tratava como filho e jamais o abandonara e em cuja companhia o pequeno Nicácio recebia o mais sincero amor maternal. Ribeirão naqueles primórdios, teria quando muito uns 15 mil habitantes e o pupilo de dona Silvéria Portugal, desejando trabalhar encontrara serviço numa máquina de beneficiar café, de propriedade do senhor José de Abreu, onde prestara os seus trabalhos por alguns meses, e depois tivera trabalhando por pouco tempo numa fazenda cafeeira pertencente ao senhor José Sales. Depois o jovem Nicácio foi residir na ex-Vila Bonfim, onde tentou sem êxito os mais variados serviços, para após no ano de 1907, retornar a Ribeirão Preto, ocasião em que se empregara na Catedral como sacristão, em cuja época inexistiam ainda as casas de homenagens fúnebres.

Baseando-se nesta falha, o Nicácio se estabelece com uma casa desse gênero, a qual ele o denominara Empresa Funerária Nicácio, sendo então a primeira casa funerária da cidade, e como proprietário ele atendia com o maior carinho os que o procuravam para serem atendidos, ocasião em que muitas vezes ele perdoava alguns clientes que não tinham condições de pagá-lo.

Na época existia a extinta Guarda Nacional, onde as patentes eram adquiridas de acordo com as condições financeiras de quem desejasse ser: desde um simples alferes, ou então tenente, capitão, major ou mesmo a de coronel. As mesmas eram vendidas para quem desejasse adquiri-las, por isso na época pululavam no Brasil esses “oficiais”, em sua maioria analfabetos ou semi-analfabetos, os quais em dias de gala fardavam-se a fim de exibirem nessas ocasiões.

Entretanto o Nicácio em sua modesta simplicidade, sem nunca desejar essa regalia, encontrou amigos que o presentearam com uma patente de alferes, que muitos ignoravam, pois jamais o Nicácio disse para alguém ter sido condecorado com a referida patente, que ele próprio fazia questão de ignorá-la.

No ano de 1910, o Nicácio se consorcia com a senhorita Eudóxia Carolina de Souza e do consórcio o casal tivera uma filha de nome Zilda.

O Nicácio era um cidadão bastante conceituado na sociedade ribeirão-pretana, tendo sido tesoureiro da Conferência de São Benedito e da Sociedade São Vicente de Paulo, em cujos mandatos as referidas sociedades o consideravam como um cidadão exemplar, em face de suas excelentes virtudes.

A Sociedade Auxiliadora dos Chaufeurs, o elegeram como seu presidente, cargo que o cidadão Nicácio Gonçalves de Souza o exerceu, sob contentamento geral dos motoristas ribeirão-pretanos.

É também digno de nota através deste capítulo salientar a gratidão que o Nicácio tivera com um dos membros da família Portugal, que era parente próximo da dona Silvéria Portugal, a virtuosa senhora que fora a sua benfeitora na adolescência, de nome Raul Portugal, que achando-se em dificuldades já no extremo da vida, o Nicácio o amparou por muitos anos e por fim ficara gravemente enfermo. O Nicácio o internou na Santa Casa às suas expensas, onde o major Raul Portugal faleceu e fora sepultado também às expensas do cidadão Nicácio que é falecido há algum tempo, mas o seu nome é sempre lembrado devido às suas excelentes virtudes beneméritas para com os necessitados.

Fonte: Ribeirão e os seus Homens Progressistas
Autor: Prisco da Cruz Prates – 1ª edição 1981

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